Fotógrafa constrói álbum sensorial para deficientes visuais no RS

Jorge Vieira, o pai do bebê, nasceu sem visão. A mãe, Carlise Vieira, perdeu a visão há 16 anos em consequência de uma doença na retina. Quando chegaram
ao estúdio, Márcia conta que não foi informada de que eles não enxergavam.
 
Pesquisei vários tipos de materiais que pudessem ser usados pra transformar a fotografia, que é plana, em algo que se pudesse tocar, que o deficiente visual
pudesse sentir.”
Márcia Beal, fotógrafa

“Eu não tinha essa informação.Foi surpresa mesmo! Eu tive que conter a minha emoção conforme o ensaio foi acontecendo, principalmente quando eu tirei a foto do bebê com os pais”, lembra Márcia.

Comovida com a situação, Márcia sentiu que deveria entregar algo maior que um álbum aos pais de Natália. Com a ajuda de um artista plástico e um designer
construiu um álbum que tentasse traduzir imagens em sensações.

“Pesquisei vários tipos de materiais que pudessem ser usados pra transformar a fotografia, que é plana, em algo que se pudesse tocar, que o deficiente
visual pudesse sentir”, conta.

Após nove meses de testes, o trio de profissionais chegou a um resultado extraordinário: um álbum com texturas, textos em braile e até cheirinho de bebê.

“Esse modelo do álbum foi desenhado assim, pra gente colocar a impressão 3D, pra eles sentirem a foto, uma mostra do que foi usado na bebê, da mantinha
que eu usei nela. O texto diz que Natália está deitada no cestinho com um fundo bege, coberta com uma manta cor de rosa, abraçada num ursinho de lã, com
uma florzinha no cabelo”, descreve a fotógrafa.

Carlise é quem sempre escolhe as roupas da filha. E no dia em que o álbum especial ficou pronto não foi diferente. Ela sente cada coisinha que guarda na
gaveta e já sabe o que vai vestir em sua filha para receber o presente. “Na cômoda eu guardo na primeira gaveta um pouco de tudo. Ali tem enfeites de cabelo,
tem sapatinhos dela”, revela Carlise.

Ela sente as botinhas de Natália e sabe as cores do tecido. “Esse sapatinho é cor de rosa. Essa bota é uma bota marrom que ela ganhou da vovó dela. E essa
aqui é uma sandalinha”, supreende Carlise.

Ao receberem o álbum das mãos de Márcia, Jorge e Carlise não conteram a emoção.

“Que interessante! Porque é a primeira vez que a gente vê isso e, com certeza, muitos deficientes visuais gostariam de estar no nosso lugar”, celebra a
mãe de Natália folhando o álbum sensorial.

Márcia, nitidamente emocionada, conta como construiu o a surpresa a Jorge e Carlise. “Separei os cenários que a gente escolheu aquele dia. Todas as páginas
têm o molde em 3D da foto e a textura e a descrição em braile. Essa é a nossa foto preferida, que são vocês três.”

E, assim, com essa surpresa, a família de Natália, Márcia e seus amigos levaram uma grande lição para a vida: há outras formas de enxergar as coisas, e
não obrigatoriamente é preciso usar os olhos.

Fonte: G1

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