Para esse novo ano de 13, desejo a todos as 7 “pequenas” transformações abaixo. (Se necessárias forem)

1 - Substituir completamente a sua soberba pela virtude da humildade - E se pensas que não tens ou praticas a soberba: Soberba é orgulho excessivo, arrogância, complexo de superioridade, vaidade, não reconhecer a excelência daqueles que o ultrapassam, se achando sempre o melhor e o centro do universo, passando por cima de todos, se vangloriando e ostentando seus desempenhos, atos e conquistas em detrimento dos outros, sempre à procura de platéia, admiração e inveja. É tentar tornar-se seu próprio Deus, já que imagina que a glória que você faz volta sempre pra si mesmo. É ostentar uma falsa altivez, sabendo que esta é falsa porque nenhum magnânimo é dono da verdade e do conhecimento. Mas não pensem que a soberba/orgulho é inerente aos belos, ricos e sábios, pois existe o avesso, que é o pobre soberbo, que não aceita ajuda, que ostenta sua miséria como um galardão para ser admirado pelos outros e citado como exemplo. Ele quer que digam: “Vejam como ele é tão íntegro”. Assim fingem ser mais ignorantes do que são, ostentam uma falsa humildade, depreciam-se sempre para serem elogiados, e no fundo invejam os mais afortunados, não raro tentando prejudicá-los. Você pode não ser uma pessoa soberba, mas tomar atitudes soberbas, que, quanto mais freqüentes, tornam sua vida perversa e desprezível. Ao agir, seja inteligente e lance mão da humildade, que é à base das virtudes, ao invés da soberba/orgulho que é o pior dos pecados capitais, por estar presente em todos os demais. Quanto maiores somos em humildade, tanto mais próximos estamos da grandeza, e é ai que devemos ter cuidado, porque pior do que a falta de humildade e a falsa humildade, que leva a pessoa a se sentir orgulhosa de estar agindo de modo humilde. O falso humilde esconde a sua soberba na obrigação dos bons atos, sendo que quem é cordial, solícito, simples e honesto nem sempre tem humildade. O falso humilde mostra-se solícito àquele que está precisando, quando seu incosciente lhe diz “Que bom que sou melhor que ele e posso mais”. Pois saiba que em outras condições ou áreas pode ser o contrário.

2 - Abuse da temperança – Essa virtude éa que se opõe ao pecado da gula, que, apesar de ser um termo mais comumente relacionado ao desejo e consumo exagerado da comida, pode também significar o exagero no trato com outras coisas como a bebida, diversão, sexo, compras, conforto, e todo e qualquer bem que nos proporcione prazer. Gula é exagero, desejo insaciável, vício, compulsão, descontrole e está no egoísmo humano de querer conquistar cada vez mais, nunca se contentando com o que tem, principalmente nos tempos atuais, onde a competitividade e a busca pela prosperidade comprometem integralmente o seu tempo. A gula degrada o ser humano, seja pela perda de domínio em si mesmo, seja pelos danos causados pela falta de temperança, que, por sua vez, modera a tração pelos prazeres, assegura o domínio da vontade sobre os instintos, mantém os desejos nos limites da honestidade, permitindo que você modere tudo o que faz, não tomando atitudes apenas pelas suas vontades, tornando-se alguém equilibrado, que tem parcimônia ao agir. É preciso ter autocontrole e moderação, dosando seus sentimentos, seus prazeres, seus consumos, suas ações e reações, de acordo com cada momento. A temperança nos ensina a usar as coisas certas, no tempo certo e na quantidade adequada, sendo que certos atos estão reservados para certas situações.

3 - Seja generoso ao invés de avarento – A avareza é ter apego excessivo ao dinheiro e aos bens materiais. É ganância, cobiça, escravidão a bens materiais e tudo mais que o zzzzzzseu dinheiro possa comprar. Se a soberba consiste numa estima excessiva de si mesmo, a avareza é a estima excessiva das riquezas e dos bens materiais. A pessoa dá tanta importância ao dinheiro que passa a viver só em função dele, esquecendo-se de Deus e do próximo. O avaro está tão apegado às coisas que possui, que prefere morrer do que perde-las. Só pensa em comprar, em ter, em mostrar aos outros tudo o que possui. Tal atitude, ao contrário do que o avaro pensa, o afasta da prosperidade e o aproxima da pobreza. O caminho da prosperidade é a generosidade, que é o desprendimento da riqueza, onde a pessoa dá sem precisar receber nada em troca. A palavra de Deus nos diz: “A quem dá liberalmente, ainda se lhe acrescenta mais e mais; ao que retém mais do que é justo, ser-lhe-á pura perda” (Pv 11.24). A semente que se multiplica não é a que comemos nem a que guardamos, mas a que semeamos. A semeadura generosa terá uma colheita farta, pois quem dá liberalmente, ainda se lhe acrescenta mais e mais. É o próprio Deus quem multiplica a nossa semente e faz prosperar. A pessoa que tem o coração aberto por Deus tem facilidade de praticar a generosidade, que, por sua vez, é uma dádiva de pessoas seguras, desprendidas, que crêem que são abençoadas e acreditam que merecem e receberão do universo tudo o que lhe for necessário, e por isso não têm medo de doar e de se dar, seja numa relação de trabalho, de amizade ou num relacionamento afetivo, tendo uma proposta de criar o melhor, em um ambiente de troca, onde a regra do sucesso é não reter para si, nem riquezas materiais, nem outras, como conhecimento, experiência, amor, carinho, sabedoria etc. Generoso é tanto aquele que divide o alimento com os pobres, quanto aquele que cede o seu tempo praquele que precisa. Já os avarentos, por não se sentirem tão abençoados, baseados numa premissa de que algum dia lhes faltará o necessário, apegam-se ao que têm. Agarram-se como polvos famintos ao que possuem e, se puderem, tentam acumular tudo que os faça sentirem mais seguros. Os avarentos são pessoas medrosas e inseguras, e por isso têm dificuldade de servir, se doar e compartilhar o que têm. O avarento, por viver em função do lucro, corre sério risco de ser injusto, desonesto e egoísta, sendo que em tudo o que seja útil, procura apenas o seu interesse próprio, ignorando os interesses e os direitos dos outros, misturando ambição com ganância. É claro que todas as pessoas têm uma inclinação para adquirirem bens e quase todas as pessoas acreditam que são merecedoras de bens, sobretudo de bens associados à riqueza e ao poder. Mas, o homem de bem sabe reconhecer aquilo que lhe pertence por mérito e por direito e aquilo que pertence aos outros. O homem de bem só fica com aquilo que lhe cabe e, em caso de dúvida, prefere ficar com menos do que aquilo que lhe cabe, porque, como foi bem referido por Sócrates, é preferível ser vítima de injustiça do que cometer injustiça.

4 - Seja diligente ao invés de preguiçoso – Ser diligente é seguir um objetivo de vida, unindo persistência e esforço, de forma competente e eficaz, o que, segundo provérbios 22:29, o fará alcançar resultados dos mais altos níveis de excelência. Ser preguiçoso é ter falta de disposição pro estudo e pro trabalho, é aquela criatura que prefere reclamar da vida e dos outros, em vez de procurar traçar um objetivo de vida e correr atrás dele. É aquele que, como cantou o velho Raul, fica em casa com a boca cheia de dentes, esperando a morte chegar. Em outra canção, ele diz:”...quem disse que a cabeça agüenta se você parar”. Resumindo, meu amigo, vá a luta, mesmo que as condições não sejam as melhores. Como nos ensina o livro “O Monge e o Executivo”, a maneira de ser das pessoas depende de suas intenções e não de suas condições. Então, logicamente, as intenções e atitudes diligentes trarão melhores resultados do que as preguiçosas. Afinal, como esperar resultado e sucesso do preguiçoso. Preguiça é falta de empenho, capricho, esmero, objetivo, atitude, estímulo, vontade de agir, de conhecer, de sentir, de pensar... É um estado interior de inércia, negligência, desleixo, tédio, morosidade, ociosidade, incompetência, lerdeza, e tudo mais que enterre a vida e a moral do cabra que faz corpo mole, deixa o trabalho pros outros, dorme o dia inteiro e fica reclamando dos pequenos problemas e colocando alguns maiores como justificativa da sua inoperância ociosa, ou seja, vida de vagabundo que fica esperando o sucesso e a prosperidade caírem do céu. Então levante a bunda dessa cadeira e trace objetivos em sua vida, seja pra mudar para um emprego melhor e mais remunerado, seja pra estudar e conseguir conhecimento que o façam alcançar melhores objetivos, seja pra colaborar mais com os colegas e deixar de ser desleal no seu trabalho, seja pra ir em busca de metas... a partir daí é só se aproximarmais de Deus, confiar nEle, e o mais Ele fará. E como nos ensina no livro de Provérbios: “Vai ter com a formiga, ó preguiçoso; Olhe para os seus caminhos e sê sábio.” (Prov, 6:6) e “Diz o preguiçoso: Um leão está lá fora; serei morto no meio das ruas.” (Prov. 22:13).

5 - Não alimente a ira,e sim a paciência – A ira é um impulso desordenado contra alguém ou alguma coisa, é um intenso sentimento negativo que domina o psíquico de uma pessoa, podendo se manifestar como raiva, mágoa, rancor, ódio, ressentimento, tristeza, amargura, depressão momentânea, movido por algum motivo muito forte, podendo gerar sentimentos de vingança. A ira torna a pessoa furiosa e descontrolada, com um desejo impetuoso de destruir o que a causou, sendo que, se não for possível, tal energia negativa pode ser resvalada para outras direções, envolvendo pessoas e coisas, que, muitas vezes, não têm nada a ver com a história. A verdade é que o maior prejudicado pelo sentimento da ira é a própria pessoa que a carrega, sendo uma energia que se volta contra si mesmo, contra aquele que deixou o ressentimento e o ódio tomar conta de seu coração. Ao invés da ira, deve-se cultivar a paciência, virtude de manter o controle emocional equilibrado, trabalhando a sua calma através dos tempos. Paciência é a tolerância a erros ou fatos indesejados, é a capacidade de superar incômodos e dificuldades de toda ordem, é persistência e perseverança diante das dificuldades, da adversidade, de situações e condições que te desagradam, agindo tranquilamente, aguardando o momento certo pra tomar atitudes prudentes, formadas no caminho da busca pacífica da compreensão que antes não existia. Dizem que a paciência é a mais difícil das virtudes, e creio ser a mais importante, pois é fundamental em todo momento da vida. A paciência não se desenvolve de uma hora para outra, se trabalha com o tempo e com a prática diante das necessidades. Paciência é essencial em situações de confronto, apresentação, aprendizado, ineditismo, perigo, doença, adversidade, prova, avaliação, gestão, espera, adaptação, aceitação, convivência,perda, ganho etc. Ou seja, constantemente, na tomada de decisões e nas atitudes, precisamos de uma paciência cada vez mais apurada, pra agirmos com parcimônia, mansidão, tolerância controle e prudência.

6 - Troque a inveja pela caridade – Em vês de praticar a inveja, criando olho grande no sucesso e bem dos outros, desejando o que o outro tem, pratique a caridade, ajudando o próximo, através de uma ação humanitária que lhe traga uma notável elevação moral.

7 - Procure respeitar e conviver bem com a diferença – Vivemos em uma sociedade onde o convívio com a diferença parece ser uma coisa de outro mundo. Talvez pela história da humanidade que tem sido escrita por embates entre grupos que transformam suas diferenças étnicas, ideológicas, culturais, políticas, religiosas, sociais e econômicas em rivalidades inconciliáveis, talvez pela indústria cultural que estabelece uma ditadura da beleza, da prosperidade e da felicidade que exige um estereótipo de ser humano, que tem que perseguir um modelo inatingível de beleza, com formas esculturais, simétricas, de medidas exatas, tudo isso aliado a um status invejável nutrido por bens materiais, dinheiro e poder que deve obrigatoriamente protagonizar em um ambiente de sucesso profissional e reconhecimento social. Seja qual for o motivo, os tempos são outros e a dificuldade de interagir com o novo e o diferente é quase inadmissível. Em uma contemporaneidade em que a personalidade do indivíduo deve ser cada vez mais aprimorada para “sobreviver” nesse mundo competitivo, tal aprimoração já deveria criar personalidades próprias e fortes, capazes de saberem lidar com o diferente, sem a necessidade de praticar o preconceito, por mais inerente que este o seja. Inerente também é a diversidade humana e, apesar dos esteriótipos formados estarem arraigados na sociedade, cada um é um ser ímpar em seus talentos e potenciais, e sua singularidade deve ser respeitada, inclusive por ele próprio. Por isso, não julgue o outro pela sua cor de pele, gênero, orientação religiosa, étnica, cultural ou sexual, muito menos por qualquer característica inexistente em pessoas que você já interagiu ou conviveu. Ações afirmativas devem ser e tão sendo tomadas para eliminar essas diferenças historicamente acumuladas, mas não serão suficientes se a diversidade humana não for respeitada pelo próprio ser humano. A começar por você. Não destrua seus valores comparando-se com outras pessoas. É por sermos diferentes uns dos outros que cada um de nós é especial. Não estabeleça seus objetivos por aquilo que os outros consideram importante. Só você sabe o que é melhor para você. Não julgue o outro pelo que parece ser, procure lembrar que todos somos desiguais, mas seres iguais em raça e espécie, com as mesmas necessidades e desejos, portanto de trato igual. Enfim, não tenha medo de interagir com o outro, pela sua característica incomum, por uma precaução inútil ao lidar com o novo.

PS’s: 1. Se achou difícil a prática das virtudes, saiba que Aristóteles disse que elas só se adquirem com o hábito. Então é só ir praticando; 2. Se pulou até o final, sem ler tudo isso deveras longo, favorite aí pra ler depois. Pode ser importante.

Comentários

Recomendo a leitura

Recomendo a leitura principalmente do ítem 7.... muito bem escrito. Parabéns a quem escreveu e propaguem essa necessidade por ai.... de respeitar o diferente, por tão incomum que o seja.

Muito bom... gostei!

Muito bom... gostei!

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