Muitas vezes confundida com cegueira, a baixa visão pode ser atenuada com vários recursos.

O analista programador Alexandre Santos Costa, de 26 anos, nasceu com baixa visão em decorrência de um glaucoma congênito. A doença, que compromete a visão periférica, aliada a uma miopia, fez com que sua capacidade de enxergar fosse altamente prejudicada, mas não extinta. Costa consegue ver os objetos, mas precisa chegar bem perto deles. “Nos primeiros anos de escola eu tinha que ir até a lousa para enxergar”, lembra. É importante frisar: baixa visão, também conhecida como visão subnormal, não é cegueira. “Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), existem 45 milhões de cegos e 135 milhões de portadores de baixa visão no mundo”, diz Marcos Sampaio, coordenador do serviço de visão subnormal do Hospital das Clínicas.

“Cego para a OMS é quem tem acuidade visual inferior a 20/400. Quem tem visão subnormal está entre 20/60 e 20/400.” Segundo o padrão, alguém que enxerga perfeitamente tem 20/20 de visão. A baixa visão começa aos 20/60, ou seja, uma visão pelo menos três vezes pior do que a normal.

Portadores de baixa visão são muitas vezes identificados pela necessidade de aproximação máxima do objeto que querem enxergar. “Uma das técnicas básicas para se melhorar a visão é aumentar o tamanho das coisas, chegando mais perto”, explica Sampaio. “O problema é que, quando isso acontece, fica mais difícil focalizar.”

Infância e terceira idade

As causas da baixa visão podem ser divididas em dois grandes grupos: infância e idade adulta. “Em idosos, a principal causa é a degeneração macular relacionada à idade, que afeta a visão central, seguida da retinopatia diabética. A terceira causa mais comum é o glaucoma, que leva à perda da visão periférica”, explica Sampaio.

Segundo Maria Aparecida Onuki Haddad, médica colaboradora do serviço de visão subnormal da clínica oftalmológica do HC e oftalmologista da Associação Brasileira de Assistência ao Deficiente Visual, a previsão é de que a porcentagem de idosos com visão subnormal aumente, tanto em países desenvolvidos quanto em subdesenvolvidos - uma decorrência do aumento da expectativa de vida. Sampaio acrescenta que estatísticas feitas na Europa e nos EUA mostram que a condição afeta 6% da população que tem 65 anos de idade, número que sobe para 20% na população a partir de 85 anos.

Em crianças, as causas são bem diferentes. “As razões mais comuns para baixa visão na infância são a coriorretinite macular (perda da visão central), catarata congênita (visão difusa), retinopatia da prematuridade e doenças degenerativas da retina, chamadas distrofias retinianas”, explica Maria Aparecida. Segundo Sampaio, no universo das pessoas com baixa visão, crianças correspondem a apenas cerca de 4% do total. Apesar de ser um número relativamente menor, ele não deve ser esquecido. “Hoje em dia existe o conceito de ‘anos de deficiência’, ou seja, os anos que a pessoa vive com a deficiência”, diz Maria Aparecida.

“A partir desse conceito, fazer habilitação visual em uma criança seria o equivalente a fazer o mesmo com dez idosos, já que essa criança ainda vai ter muitos anos de vida pela frente.”

A baixa visão não impede que uma criança freqüente a escola comum. Daiane Lima Araújo, de 9 anos, possui uma cicatriz na retina, que levou à perda da visão central. Ela acabou de receber seu primeiro telescópio. “Eu gostei”, conta, entusiasmada. Segundo a oftalmologista Maria Aparecida, geralmente recomendam-se os recursos ópticos a crianças em fase pré-escolar e escolar, quando elas já têm condições de coordenar seu uso. Isso não é o bastante, entretanto. A criança precisa de mais suporte para superar as dificuldades e aprender a lidar de maneira saudável com sua deficiência. “No HC elas recebem, além de avaliação oftalmológica e adaptação dos recursos ópticos, uma avaliação com uma pedagoga especializada”, diz a oftalmologista. “A pedagoga avalia a criança dentro das atividades que deve desempenhar em sua idade e a partir daí orienta a escola.”

Ambiente saudável e vida normal

Mesmo com os recursos ópticos, portadores de baixa visão ainda enfrentam desafios. O analista Costa diz que a dificuldade para enxergar o letreiro dos ônibus é seu maior problema. “Mesmo com a lupa é complicado focalizar quando algo está em movimento”, afirma. “Normalmente peço para me ajudarem ou pego o ônibus no ponto final.” A doméstica Francidalva Freitas Lima, mãe de Daiane, também reconhece que o maior obstáculo de sua filha está na rua. ”Em casa ela tem a direção de tudo”, conta. “Mas na rua ela aperta minha mão tão forte que chega a doer. Acho que ela tem medo.” A professora de Daiane já foi avisada de que a menina possui baixa visão. Desde o ano passado ela freqüenta um centro pedagógico, chamado sala de recursos, onde tem aulas de reforço de duas horas todas as semanas. “Foi muito bom a Daiane entrar na sala de recursos, porque lá eles a ajudam a enxergar”, diz Francidalva. Sampaio enfatiza a importância do trabalho. “É importante fazer com que essas pessoas enxerguem utilizando as técnicas de baixa visão, potencializando a visão residual”, destaca.

Um fator que dificulta o tratamento é a não-aceitação desses recursos, o que geralmente acontece com os mais velhos. “Às vezes, o paciente chega no consultório achando que vai resolver seu problema apenas usando óculos”, diz Maria Aparecida. “Eles querem algo menos antiestético, por isso usar os recursos torna-se um fator de rejeição.”

Em casos em que os recursos ópticos são a única saída, é importante tornar o ambiente favorável, principalmente no caso de crianças. “No colégio, todos os amiguinhos da Daiane sabem que ela tem esse problema. Por isso, se ela chega e as carteiras da frente estão cheias, eles sempre cedem o lugar”, conta Francidalva. Costa diz que as outras crianças estranham no começo, mas no mesmo dia já querem saber mais. “O problema é que você acaba ganhando apelidos: até hoje sou chamado de Mr. Magoo”, brinca. Ele considera a conscientização a chave para aceitar a condição. “Quando fiz o exame de visão subnormal, a médica ficou impressionada com minha facilidade para aprender a lidar com os recursos. Acho que isso acontece porque nunca tive vergonha da minha doença”, conta.

Especialistas ressaltam que é importante que a pessoa se aceite e se sinta aceita pelo seu ambiente. “Pais e professores devem tirar todas as dúvidas que têm em relação à doença”, explica Maria Aparecida. “Com um ambiente mais acessível e a ajuda dos recursos ópticos, portadores de baixa visão podem viver uma vida normal.”

Fonte: 20/20 Brasil

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Sou estudante do curso de

Sou estudante do curso de licenciatura em esoanhol no IFRN. Estou no 7º período construindo a monografia. No ínício desse período, sofri uma lesão causada pelo diabestes, fiquei vários dias com a visão embasada e não conseguia enxergar quase nada. iquei em cas, os mestres não sabiam o que fazer com o meu problema e a conclusão do meu curso ficou ameaçada. Quando voltei, resolvi que minha monografia seria na área de inclusão: Baixa visão. Por isso, se tiverem alguma indicação de autores para minha fundamentação teórica, eu ficarei muito grato.

Meu nome é Rosana Silva e sou

Meu nome é Rosana Silva e sou portadora de deficiencia visual sub normal desde
criança,e realmente o que voces disseram é a verdade somos discriminados,
quase tratados como deficientes mentais pois precisamos nos aproximar das coisas
e usar lupa e monoclo,o que esta faltando é a divulgaçao deste,pois as pessoas acham
que so existe miopia,hipermetropia, etc...
Quantas crianças nao devem sofrer como eu sem saber o real problema,hoje tenho
quarenta anos e estou me adaptando muito bem com meus recursos.
Gostaria de pedir por favor que fosse feita uma campanha para a divulgaçao deste, pois
a maior deficiencia é a negligencia de muitos medicos.
faço um apelo a voces que teem o poder da midia,divulgem.
Ficarei eternamente grata a voces,assim muitos conseguiram ser mais forte e assumir suas
necessidades.
abraço Rosana Silva

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